Seguidores de Igarashi denunciaram uma utilização extremamente ampla
da legislação japonesa contra a obscenidade
Foto: AFP/Arquivo
A polícia japonesa prendeu em Tóquio uma artista acusada de
obscenidade por distribuir dados que permitiam realizar impressões em 3D
de sua vagina. Seguidores denunciam como um ataque à liberdade de
expressão.
Megumi Igarashi, 42 anos, que se apresenta como Rokude Nashiko
("menina bastarda"), tentava, desta forma, coletar fundos na internet
para financiar a fabricação de uma canoa, modelada com a forma de sua
vagina, com uma impressora 3D.
O Japão tem uma indústria pornográfica importante que engloba uma série de gostos. No
entanto, a lei continua proibindo a representação dos genitais, que
normalmente aparecem censurados ou disfarçados com pixels em imagens e
vídeos.
A artista - que criou outras obras inspiradas nos órgãos genitais -
foi detida no sábado por "distribuir informação que poderia criar uma
forma obscena com uma impressora 3D", indicou uma porta-voz da polícia à
AFP nesta terça-feira (15).
Antes de sua detenção, Igarashi - que seguia detida nesta terça-feira
- conseguiu arrecadar um milhão de ienes (9,8 dólares) através de uma
página de financiamento coletivo.
Em troca de doações, enviava dados aos participantes com os quais podiam criar impressões em 3D de seus genitais.
Os seguidores de Igarashi denunciaram uma utilização extremamente ampla da legislação japonesa contra a obscenidade neste caso.
A ativista Minori Kitahara disse que a polícia vasculhou o escritório de Igarashi e apreendeu 20 obras dela.
"O Japão continua sendo uma sociedade na qual se reprime os que
tentam expressar a sexualidade feminina, quando a sexualidade masculina é
tolerada em excesso", disse.
Caso seja condenada, Igarashi enfrenta uma possível pena de até dois
anos de prisão e uma multa de 2,5 milhões de ienes, segundo seu
advogado.
Fonte: AFP

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